sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

02/04/2011 - Museu Egípcio e a Praça Tahir

O programado para o dia de hoje era simples: visitar o Museu Egípcio.  O que sobrasse do dia seria para descanso ou andar à toa pelas ruas do centro.  Acordamos cedo, tomamos o café da manhã e gastamos o tempo que sobrou antes de sairmos na internet.


Lonely Planet, a bíblia do viajante independente

Tivemos hoje nosso primeiro contato de verdade com a cidade do Cairo, já que ontem ficamos o dia todo visitando as pirâmides.  As ruas do centro da cidade não permitem qualquer romantismo: são feias, sujas e passam a impressão de bagunça total e de que tudo pode desmoronar a qualquer momento.

Além disso, o trânsito que já havíamos experimentado antes se apresentou em toda sua exuberante bagunça! Tínhamos testemunhado o tumulto de dentro de carros, mas nada se compara a andar a pé pela cidade e cruzar as grandes avenidas desbravando por entre carros, motos, ônibus, cavalos, e qualquer outra coisa que se mova.  Dentro de um carro com motorista era brincadeira de criança, é andar a pé pelas ruas do Cairo que separa os homens dos covardes!

Uma careta vale mais que mil palavras!

Pães e doces 

No caminho para o Museu paramos para Michelle comprar uns doces numa loja qualquer, o que ela conseguiu depois de muita mímica, e depois cruzamos a Praça Tahir.  Palco da Revolução Egípcia, a praça ainda emanava um clima tenso no ar, com policiais e militares por todo os lados, e danos causados pelos conflitos entre o governo e o povo.  A Revolução teve início no dia 25 de Janeiro, quando mais de 15 mil pessoas ocuparam a Praça Tahrir.  Nas semanas que se seguiram, o movimento de revolta foi tomando força e se espalhando pelo país, os conflitos aumentaram e muitas pessoas morreram o ficaram feridas.  A pressão foi cada dia aumentando até que no dia 11 de Fevereiro, isolado em Sharm-el-Sheik e sem apoio dos militares, o ditador Hosni Mubarak renunciou ao cargo de Presidente do Egito, passando o poder a um governo miliar de transição.  Foi o fim de uma era no Egito e no mundo árabe.  Apesar da miséria que grassa o Egito de norte a sul, os bens da familia Mubarak são estimados em 70 Bilhões de dólares.

Foi um privilégio poder estar ali durante um momento tão precioso para a história.

Tiramos umas fotos na frente do Museu Egípcio, guardamos a câmera no guarda-volumes (não pode entrar com câmera no Museu) e entramos pra conhecer o seu acervo.  O Museu possui uma coleção com mais de 136 mil antiguidades egípcias espalhadas por 89 salas em dois pavimentos.  De todo o tesouro ali encerrado, o de maior destaque é o tesouro do Faraó Tutankhamon, um dos poucos faraós cuja tumba permaneceu incólume aos saqueadores ao longo dos milênios, tenso sido descoberta apenas em 1922, ainda com artefatos de ouro, tecido, armas e textos que continham informações de mais de 3500 anos atrás.  Ambos estávamos com as pernas doloridas do esforço de subir e descer pirâmides de ontem e subir e descer as escadas do interior do museu foi um martírio!





Ficamos no museu até umas 14 horas e então saímos para almoçar.  O rango da vez foi no KFC da praça Tahrir, um combo extreme não era nada "extreme" mas custou apenas 10 reais!  Depois do almoço, compramos umas bugingangas nas barracas da praça e retornamos ao hotel pra descansar.



Museu Egípcio, com prédio incendiato ao fundo
Praça Tahrir, em obras
Barraca de Kebab
Predios na Praça Tahrir
Guardas sendo totalmente ignorados
KFC
Além do serviço absolutamente caloroso e prestativo, Gamal nos ensinou ontem algo muito importante: onde comprar comida barata!  E se tem uma coisa que eu não sou é burro, então assim que a fome apertou eu desci e fui comprar o rango pra janta no nosso muquifo bisurado!




Novamente gastei uma fortuna com comida: o equivalente a 8 Reais.  Jantamos e matamos o tempo na internet, ligando pro Brasil, postando as fotos, pesquisando o roteiro do dia seguinte, etc, e quanto eu menos esperava, degustando uns falafels, tive uma grata surpresa:  o sol se põe de frente para o terraço do hotel e o ocaso foi tão bonito que deixou até mesmo a feia cidade do Cairo bela.







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