Após um banho pra mandar as 24 horas de viagem pelo ralo e darmos uma arrumada no quarto, nos preparamos para enfrentar as ruas do Cairo. Michelle vestiu seu disfarce de muçulmana e eu separei apenas um pouco do dinheiro e pequei a máquina fotográfica pequena, mais discreta.
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| Michelle, de muçulmana. "Muslinda!" |
A nossa segurança, principalmente a de Michelle, me estragou umas boas horas de sono desde o dia em que compramos as passagens até a viagem. Além disso, já com as passagens compradas, iniciou-se o levante árabe no Egito em Janeiro, menos de três meses antes de nosso embarque, com manifestantes lutando e morrendo por todo o país, caos instaurado, fronteiras fechadas, turistas sendo evacuados, polícia e exercito nas ruas, incêndio e morte na Praça Tahrir (que fica a 500 metros do hotel)... Só me restava acompanhar tudo a distância e torcer pelo sucesso dos insurgentes o quanto antes. Felizmente para nós, o pior do levante já havia passado, o ditador Hosni Mubarak entregou o cargo e chegamos ao país com a vida voltando à normalidade sob comando dos militares, mas ainda com a felicidade do povo com a queda do regime ditadorial que durava mais de 30 anos.
Mais uma vez, após meses de agonia extrema, no fim das contas acabou dando tudo certo: encontramos um clima tranquilo e o país ainda com um reduzido número de turistas.
Ainda assim, tomadas todas as precauções de praxe, saímos para encontrar um restaurante perto do hotel recomendado pelo Lonely Planet, onde eu planejava comer uma das iguarias do cardápio egípcio: Pombo Recheado.
Após alguns minutos andando desconfiados pelas feias ruas do Cairo, chegamos ao Emara Hati al-Gish, um restaurante com aparência muito bem cuidada e elegante. Fomos atendidos por um garçon exageradamente solicito e gente boa. Com alguma mímica e muita boa vontade, conseguimos entender alguma coisa do cardápio e eu pedi o tão esperado Pombo Estufado e Michelle pediu Kafta, além de uma sopa pra cada um.
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| Restaurante aprovado! |
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| Cardápio em Árabe |
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| Sopinha no capricho |
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| Garçom sangue bom |
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Recebemos na mesa uma porção de pão, um molho, uma garrafa de água mineral, o que ajudou a segurar a onda até a chegada da comida. Uma vez com o pombo na minha frente, foi só atacar o bicho!
Primeira refeição no Cairo
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Encarando o perigo!
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| Kafta |
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| Pombo sem asa! |
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| Restos mortais |
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| Nós |
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Até que o Pombo estava gostoso, o recheio era arroz e a carne tem gosto de frango. A verdade é que foi mais divertido do que saboroso comer um Pombo Estufado. Mas é isso mesmo, comida não é só pra agradar ao paladar, muitos outros fatores estão envolvidos e diversão é um deles!
A conta, já com uma gorjeta boa pro garçom sague bom deu 120 Libras Egípcias, uma fortuna equivalente a 36 Reais. Satisfeitos, retornamos ao hotel para um merecido descanso.
Pra fechar, seguem abaixo algumas fotos do Hotel Osíris.
Reservamos o
Hotel Osíris pela internet, em contato direto com eles. O preço da diária ficou em 40 Euros, pagamento em dinheiro, na chegada. Quarto de casal com banheiro compartilhado com mais um quarto. Contratamos também com eles o
transfer do aeroporto até o hotel, por 17 dólares, e o guia e veículo para um dia inteiro pelas pirâmides, por 43 dólares. Somos entusiastas de fazer as coisas por nós mesmos, esse
transfer e a contratação do motorista são raridades em nossas viagens, mas devido ao baixo preço, valeu muito a pena até para os mais econômicos mochileiros. A referência foi o
Tripadvisor.
Nossa opinião
Recomendamos o hotel. A faixada é feia e o hotel um pouco difícil de achar, o elevador parece saído de um filme de terror, mas uma vez no andar do hotel, a sensação é de que se chegou a um oásis. Quarto simples, porém espaçoso e limpo, ambiente tranquilo e bem decorado, com um terraço com bela vista e um pôr do sol estonteante. O proprietário é prestativo e os serviços tem bons preços para quem é de fora, apesar de serem uma verdadeira fortuna tomando o Egito como referência. Recomendamos também o serviço de motorista para as pirâmides, o Sr. Gamal, que nos levou, foi o melhor egípcio com quem tivemos contato, fez o que pode para nos ajudar e nos proteger inclusive dos próprios conterrâneos. Um ponto negativo é que o proprietário fuma muito e nos ambientes do hotel. Pra quem odeia cheiro de cigarro, como nós, isso é um tanto chato.
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